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dezembro 06, 2004
porque tenho que actualizar o blog todos os dias...
estou na universidade do minho, nos computadores da sala de informática! uma confusão de gente, não conseguia arranjar pc nem por nada...depois de 15 minutos de espera,lá consegui. poruqe? para vir escrever aqui...não quero que isto se torne um blog quinzenal, mesmo sendo certo que até agora poucas visitas tive! :)
Há uma semana atrás li uma crónica do Lobo Antunes, em que ele descrevia uma cena a que assistira num restaurante que costuma frequentar.
Falava ele num homem, que após ter recebido uma chamada, chorou compulsivamente...a descrição do lugar, da postura do homem, das pessoas que o rodeavam emocionou-me. Mas também me pós a pensar.
Como disse Lobo Antunes na sua crónica "u tinha vontade de ir ter com ele, dar-lhe um abraço, mas não consegui" agora pergunto: porque?
Estando alguém triste por que não dar-lhe a mão? dar-lhe um abraço?
A resposta será,"não tenho nada a ver com isso" ou "ninguém quer estranhos a meter-se na nossa vida", mas será que isso acontece mesmo?
Situações como estas já nos aconteceram algumas vezes. A mim já me aconteceu, numa estação de comboios. Não, não abracei o homem, não, não o consolei e deixei-o afogar as mágos nos meu ombro...mas ouvi-o, deixei-o falar, falar...até me cansar! mas continuei a ouvir...da nossa conversa não retirei nada de especial, apenas que esse homem se senti-a só!!! Quando o comboio se aproximava, em jeito de recompensa pela hora de conversa, deu-me um terço que a filha lhe tinha trazido de Fátima, não aceitei, porque não tenho fé suficiente para aceitar um terço, porque não rezo, porque não tenho religião. Por ser estudante deu-me uma caneta que tinha no bolso, "fico ofendido se não aceitar"...
Vim para Braga, ele foi para Famalicão..."confessado" e eu com a caneta.
Publicado por impressaodigital às dezembro 6, 2004 07:32 PM
Comentários
Hello...
Invariavelmente, o que escreveste fez-me pensar nas minhas aulinhas de Psicologia... Par lá do ódio que estou a formar cá dentro em relação à aula em si... sempre vou aprendendo qualquer coisa...
E ao falar em "Grupos" surgiu uma situação muito semelhante... Realizou-se uma situação experimental em que um homem, no metro, se fazia passar por doente\estar a sentir-se mal. umas vezes parecia uma pessoa "normal", outras cheirava distintamente a vinho. E sabes que a tendência das pessoas era deixá-lo lá? E que esta não variava em função do aspecto do homem?
Nós, humanos, temos tendência a deixar ir... se o resto da multidão não ajuda, porque havemos nós de ajudar?
Somos uns cobardes, é o que é!
Beijo... desculpa lá a seca...
E obrigado pela visita ;)
Nandita
Publicado por: Nandita em dezembro 6, 2004 10:20 PM
Dou um exemplo aquando da minha estadia de 6 anos em S. Diego. Em todos os hopitais haviam letreiros a dizer " Keep your emotions and suffering to yourself" e " don't harass the patients". Ou seja... se aquilo que uma pessoa doente mais quer é ser um pouco confortada, esse instinto mais básico de se querer saber se outro esr humano está bem... até essa piedade instintiva nos querem tirar e controlar. Eu quando vejo problemas ajudo na memida do possível, e até hoje nunca me arrependi de o fazer, mesmo quando a pessoa ajudada me retribuiu com um grunhido ou má educação. Mesmo quando a minha força se esgotou lembro-me que sou filho de seres humanos e estou diante de emoções humanas, há que respeitá-las, mas nunca ignorá-las.
Normalmente TODA a gente tem na língua aquela história " eu fvi um casal a discutir e ele a bater nela e fui lá e ela disse pra eu n me meter..." pois... mas depois pergunta-se a essas pessoas " E onde foi isso, e foi contigo?" e n sabem responder.
O que fazemos mais hoje em dia é desculparmo-nos. Vejo isso todos os dias. Vejo pessoas com religião bastarem-se a si próprias e tomarem toda a água benta que conseguem, vejo pessoas sem religião dizerem que têm o rei na barriga mas n descobri ainda nesses grupos melhores factores. Tanto pessoas com como pessoas sem religião são capazes de ajudar os outros, ser religioso n é factor nenhum de auxílio. Quantos colegas meus andam para ali feitos católicos extremosos e depois n têm nem 3 horitas pra fazer um voluntariado??? Mas têm tempo pra mais umas horas nas clínicas privadas, arranjam sempre tempo pra mais um paciente pagante... pois pois pois... c'est la vie... en rose de preferência... Noblesse Oblige
Publicado por: noiseformind em dezembro 7, 2004 12:18 AM
nandita, não deste seca nenhuma! é sempre bom ler opiniões! principalmente quando coincidem com a minha! lol
o ser humano, não sei se será um cobarde em termos de vontade de ajudar,mas tem sem duvida medo de enfrentar aquilo que mais teme que é a sua propria desgraça.
noiseformind, fiquei chocada quando li o que escreveste " Keep your emotions and suffering to yourself" e " don't harass the patients". é de ficar surpreendido quando se lê uma coisa dessas!
assim como tu acho que a religião não tem nada a ver com o facto de cada pessoa puder ajudar...tudo depende da boa vontade de cada um.
eu não tenho nenhum credo, no entanto faço voluntariado! é uma gratificação indiscritivel...
Publicado por: impressaodigital em dezembro 7, 2004 02:36 PM
Um dia também me aconteceu algo parecido numa viagem de comboio de évora para o barreiro, alguém me contou todas as suas mágoas e me mostrou o percurso da sua vida.Apenas precisava de alguém que o ouvisse...e não precisamos todos?
beijo
Publicado por: contador de histórias em dezembro 7, 2004 07:37 PM
O mundo tá cheio de pessoas mortinhas por desabafar. Ás vezes tenho pacientes que chegam com montes de "problemas" e depois de duas sessões a "descarregar" percebem tudo de uma forma muito mais clara e já nada é tão complicado como parecia ser. Apenas precisavam de alguém que os ouvisse a dizer os seus problemas. Depois de vocalizados já n parecem nada do que eram...
Publicado por: noiseformind em dezembro 8, 2004 03:18 PM
de facto, todos precisamos desabafar...falar. ninguem consegue viver isolado...o problema está quando queremos desabafar e não conseguimos, achamos que não ha ninguem que nos consiga entender! rodeado por mil pessoas e sentirmo-nos sós ("there's anybody out there?").
Publicado por: impressaodigital em dezembro 9, 2004 04:39 PM