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dezembro 10, 2004
Estratificação
Numa aula de semiótica falou-se, a propósito...(já não sei de que), da estratificação social.
Disse o professor Moisés Martins - "Hoje a escola (ensinmo superior público ou privado) permite pouca mibilidade social. O diploma conta tanto mais quanto mais vale a origem social".
O professor referia-se ás diferenças sociais, ás diferentes oportunidades que cada um tem de tirar um curso superior; para tal deu como exemplo um filho de um empresário de sucesso, que decide tirar o curso de gestão; a cozinheira desse mesmo empresário decide tirar o mesmo curso, mas em horário nocturno, fora do expediente.
Teriam ambos garantia de sucesso? Mesmo que a cozinheira tivesse uma nota superior á do filho do empresário?
A resposta dada foi NÃO!
Na altura entendi o que o professor disse e não houve lugar a discussão.
Agora que reflicto sobre o assunto, penso... de facto as situações não são iguais, até porque o filho do empresário teria à partida mais vantagens, mesmo que não tirasse o curso, o seu futuro estaria (supostamente) assegurado pela "fortuna" do pai, pelas empresas administradas por outros...
Nesta situação dir-se-ia que a origem social prevalece ao diploma.
Mas um filho de um professor teria hipoteses de conseguir emprego superiores às hipoteses dessa mesma cozinheira?
A estratificação social sempre existiu, existe e existirá...Haverá sempre uns com mais poderes do que outros, haverá sempre hierarquia entre os sujeitos.
Se é injusto? Claro que o é em muitos casos, mas o que se poderá fazer para evita-lo?
Sempre defendi a igualdade de oportunidades, mas sei que em tudo há diferenças, "têm" que existir . Como poderiamos viver em comunidade se todos mandassemos em iguais circunstâncias, se cada um tivesse o mesmo poder do outro nas questões a decidir?
Veja-se o caso da democracia, os cidadãos comandam realmente a nação?
Publicado por impressaodigital às dezembro 10, 2004 09:09 PM
Comentários
há uma tensão constante entre a oligocracia e a meritocracia dentro do sistema mais abrangente da democracia. Baseado no princípio de que os pais tentam sempre assegurar o melhor futuro possível aos seus filhos ( e netos, e descendÊncia em geral), é natural que os mais ricos tentem assegurar, quer pela educação quer pelo factor "C", o bem-estar dos seus descendentes. Outras vezes a questão é ainda mais simples, com os filhos a herdarem directamente os bens dos pais. Por outro lado a tendência dos que não descendem desses poucos ( oligarquos) é enveredarem por carreiras em instituições públicas, em que o seu valor é mais apreciado dado que as instituições públicas normalmente não conseguem competir com instituições do sector privado pelas pessoas mais competentes ( pelo menos em países avançados como a Alemanha, o Japão, os EUA, o mesmo n acontecendo literalmente em Portugal). Assim, penso que é bastante natural que nos cargos de competência técnica seja natural que haja um maior equilíbrio entre pessoas de origens diferentes ( um exemplo será o exercício da Medicina, em que cada vez mais temos pessoas de classe média mas altamente motivadas pelo rendimento potencial que poderão auferir) enquanto que em cargos em que o conta mais é relação pessoal e a capacidade argumentativa as classes se reproduzam per se, como tem acontecido no acesso à advocacia ou em cargos de gestão de topo*
*Não esquecer o factor "Q"*, que está muito pouco investigado na ascensão de muitas mulheres a cargos de topo, mas que parece fazer sentido como oposição à barreira natural que a fraca socialização entre homens e mulheres representa ; ) segundo um estudo do Observatório para a Igualdade no Trabalho, quanto melhores as interacções sociais entre homens e mulheres mais interacções existirão entre eles e menos importante será o factor "Q"*
* Queca
Publicado por: noiseformind em dezembro 12, 2004 11:05 AM
Quanto à pergunta que foi feita há sempre o "depende" mas é óbvio que a cozinheira precisaria de uma enorme obstinação pra chegar ao local do filho do empresário. Em primeiro lugar pq as grandes empresas contratam pessoas mais novas, para mais facilmente "assimilarem" o espírito da empresa. Claro que ela poderia ter as mesmas notas mas teria de ser muito mais implacável, teria de agarrar todas as oportunidades com imensa força e teria de lutar contra um sem-fim de preconceitos que o filho do empresário n encontraria no seu caminho. Assim sendo é possível que a cozinheira lá chegasse, mas seria uma aposta daquelas " um dólar contra 300" e o menino do empresário seria " 1 dolar contra dolar e meio" ; )))
Publicado por: noiseformind em dezembro 12, 2004 11:16 AM
gostei de ler o teu comentário...e concordo contigo
tens razão, o facto "q" como dizes tem alguma relevancia de facto, mais do que podemos imaginar! o que é pena, a "ascensão na horizontal" não valoriza nem a funcionaria nem o patronato!
Publicado por: impressaodigital em dezembro 14, 2004 02:21 PM