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dezembro 28, 2004
quando a esperança é vencida, a vida fica perdida!
"A criança que eu fui chora na estrada. Deixei-a, ali, quando vim ser quem sou, mas hoje vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui onde ficou." (desconheço o autor da afirmação)
Quantas vezes deixamos de ser nós próprios paar seguirmos uma orientação que nos é dada, quase imposta, e que seguimos como um padrão, quase uma obrigação, para não nos sentirmos deslocados, para não nos sentirmos postos de lado?
Depois, sentimos falta de nós mesmos, sentimos falta da nossa origem, da originalidade de cada um de nós, da nossa individualidade, da diferença, da satisfação de não sermos como ou outro,mas antes igual ao outro,ou seja, estarmos equivalentes,mas diferentes nas caractericas que são únicas a cada individuo...está confuso até aqui?!
Procuro cada vez mais não me preocupar com aquilo que os outros esperam que eu seja, tento não me preocupar em agir e ser como o meu "vizinho", procuro ser eu,não espero marcar a diferença e atrair um foco de luz para mim, procuro antes que me conheçam por eu ser assim ou daquela maneira,procuro que me caracterizem de forma particular.
por isso cada vez mais deixo voltar a fazer parte do meu caminho a tal "criança que chora na estrada", a ingenuidade das perguntas e das respostas (e por que não?!), a capacidade de acreditar nos sonhos, a inocência das relaçoes com os outros,a alegria contagiente,as gargalhadas sinceras...a sinceridade e a frontalidade! Em suma, aquilo que um dia fui e que quase esqueci,porque me pareceu que por os outros esquecerem eu tembém o deveria fazer...
Será que faz sentido?
Publicado por impressaodigital às dezembro 28, 2004 12:03 AM
Comentários
Me lembrou uma oração, que transcrevo aqui pra vocêe todos os que aqui vem saborear suas palavras:
"Hoje sairei à caça de lucros, exatamente como o faço todos os dias. Tentarei ser o mais astuto, o mais sagaz, e a terra tremerá sob meus pés. No entanto, Senhor, vai comigo um menino magrinho, olhos distraídos, que não conseguem entender por que meus interesses são mais importantes que as nuvens e as borboletas. Conserva-o assim, Senhor. Mesmo que ele me atrapalhe, mesmo que me obrigue a ceder no exato momento em que preciso ser duro e inflexível, conserva-o comigo. E se um de nós não voltar, Senhor, que seja eu - não ele. Posso viver bem melhor sem mim." (Jamil Snege)
Pois é... Ficamos o tempo todo tentando ser o que não somos e acabamos esquecendo de ser felizes. Por que buscar a felicidade é ilusão. Ela nasce junto com a gente. Basta querer.
Vou deixar me contagiar por esse menino magrinho que vem sempre comigo. Vou deixar ele tornar minha vida mais alegre.
Vou viver que dá mais certo! ;)
LOL
Beijos.
Publicado por: Du em dezembro 28, 2004 12:35 AM
DU: bonita oração! :)
também eu "Vou viver que dá mais certo!" lol
Publicado por: impressãodigital em dezembro 28, 2004 12:52 AM
Procura-se o individual, procura-se ser único, mas no limite é-se de origem dúplice, de dois seres humanos passados que se uniram pra formar outro ser humano. Ser único é cada vez mais prós adoelscentes e jovens ser parte de um grupo de "semelhantes" próximos entre si, ser punk, ser rasta, ser dread. Depois À medida que descobrem que dentro desses grupo sexistem pessoas amigas e não amigas como em qualquer outra realidade acabam por criar a sua própria identidade. A identidade de uma pessoa não é a própria pessoa, a identidade da pessoa é a interpretação íntima das pessoas que a rodeiam e a influenciam. Ninguém é qq coisa por respirar, por aí podíamos dizer que os vegetais ligados a uma máquina respiratória "existem". não lhes chamava-mos "coma", que literalmente quer dizer "sono profundo", sendo que o sono é um momento de exclusão do mundo.
Simplesmente há um momento em que percebemos que não somos apenas a soma dos nossos pais, familiares e vizinhos. Percebemos que somos mais do que isso, e que para sermos felizes precisámos de coisas diferentes das deles. Claro que muitas vezes vai-se demasiado longe nessa busca e acaba-se perdido, entre as amizades que não nos podem suportar financeiramente e a família que aprendemos a desprezar emocionalmente. No fim descobre-se um compromisso, um equilíbrio, raramente se aprende a viver sozinho, se bem que é a melhor forma, viver numa ilha muito nosse sem perder a capacidade de lançar pontes de vez em quando ao continente gigante que é essa massa informa chamada " Outro"
Quanto ao poema é fácil...
A criança que fui chora na estrada
I
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
II
Dia a dia mudamos para quem
Amanhã não veremos. Hora a hora
Nosso diverso e sucessivo alguém
Desce uma vasta escadaria agora.
E uma multidão que desce, sem
Que um saiba de outros. Vejo-os meus e fora.
Ah, que horrorosa semelhança têm!
São um múltiplo mesmo que se ignora.
Olho-os. Nenhum sou eu, a todos sendo.
E a multidão engrossa, alheia a ver-me, Sem que eu perceba de onde vai crescendo.
Sinto-os a todos dentro em mim mover-me,
E, inúmero, prolixo, vou descendo
Até passar por todos e perder-me.
III
Meu Deus! Meu Deus! Quem sou, que desconheço
O que sinto que sou? Quem quero ser
Mora, distante, onde meu ser esqueço,
Parte, remoto, para me não ter.
Alberto Caeiro ( heterónimo de Fernando Pessoa)
Publicado por: noiseformind em dezembro 28, 2004 02:56 AM
noiseformind: neste momento,ao ler o teu post, senti-me completamente inculta! cito Alberto Caeiro e nem sabia! Obrigada pela informação...
Publicado por: impressãodigital em dezembro 28, 2004 02:39 PM
Por mais que não quisermos estámos sempre a usar máscaras para tentarmos ser aceites no grupo. Lutar contra isto faz parte do meu dia a dia
Publicado por: booklover em dezembro 28, 2004 03:30 PM