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janeiro 08, 2005

Estás a ouvir-me?!

Os gritos vindos de lá de dentro, juntamente com um choro aflitivo, alarmavam os que esperavam cá fora, ninguém sabia o que se passava...
A voz que lá dentro gritava "não", tentava manter dentro de si, a todo o custo, uma vida que lhe pertencia, uma vida que não estava pronta para ser exposta aos olhares,às vozes, ao tempo...
Trinta e duas semanas depois daquela manhã, em que ele lhe tinha levado o pequeno-almoço à cama, nasceu "o fruto do amor" (como alguns lhe chamam), o filho deles (como os emnso poeticos dizem). Nasceu,mas não devia, tinha que ter aguentado mais algum tempo, agora já era tarde...
A mãe quase que nem o viu, foi directo para a incubadora, o pai, nem teve tempo para desmaiar, ´ficou vidrado naquela figura minuscula, tão frágil,tão..tão...
Passaram-se dois dias, os pais visitavam a criança, que após a dificuldade que teve para nascer(não me perguntem quais,não quis saber), estava ainda em observação, "não sabemos as sequelas" - diziam os médicos - "ainda respira com ajuda de um ventilador"...
Não percebo nada de medecina,mas aquilo não me soava bem.
O tempo passou, não contei os dias, os pais sabiam,mas eu não perguntei...a criança já respirava sozinha, tudo correu bem, não apresentava qualquer deficiência fisica...todos respiraram de alivio "aiiii".
Vieram para casa, colocaram a criança no berço, comia bem, desenvolvia-se bem, era apaparicado por todos. Ser prematuro, afinal não tem que ser assim tão assustador.


O pai chegava a casa e no corredor ouvia música altissima, à medida que se aproximava da sua porta, a música tornava-se mais intensa...abriu a porta e lá dentro o barulho era insurcedor. A mãe, estava especada em frente da aparelhagem, nem deu conta dele entrar!
"poe o som baixo! o miúdo?!" - diz ele
"foi por causa dele que pus a música alta" - replicou ela
"?????"
"pus musica enquanto mudava a fralda ao bébé, sem querer pu-lo em cima do comando...o volume foi aumentando e enquanto eu procurava o comando...o bébé não tinah reacção...aumentei mais...está no máximo... ele está ali, ao pé da coluna...e não ouve!"

O bébé cresceu, fez-se um miúdo espevitado, esperto, alegre...os pais aprenderam a comunicar com ele, e estando um dia os três a passarem na Rua Sta Catarina, o pai olha de repente para o miúdo ele gesticula freneticamente, o pai interpreta " ainda falta muito para chegarmos? estou cansado! estás a ouvir-me?!"

Publicado por impressaodigital às janeiro 8, 2005 07:21 PM

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Comentários

Estou arrepiada... será real esta história? vou imprimir!

Publicado por: booklover em janeiro 8, 2005 09:21 PM

Surpreendente. Fico excitadissimo com finais surpreendentes.Muito bom. Muito bom mesmo.

Beijo.

Publicado por: After_Dark em janeiro 8, 2005 11:14 PM

Como subestimamos a capacidade humana...
Subestimamos a nós memos...

Tenho muito que aprender...

Beijos! :)

Publicado por: Du em janeiro 9, 2005 03:24 AM

Boa história!
Pessoalmente, não conhecia nenhum surdo, até ter entrado para as aulas de Lingua Gestual Portuguesa. O formador é surdo (surdo severo, por isso "ouve"), mas também se sai com algumas coisas estranhas, em especial quando esta muito barulho e ele não consegue perceber o que dizemos...
Pessoas que aceitam tão bem a diferença e reclamam o seu lugar certo, como é o caso deste "miúdo espevitado" e do meu formador, são bons exemplos de que as coisas podem dar certo, só depende de nós...

***

Publicado por: Nandita em janeiro 9, 2005 02:27 PM

E qual será a sensação de tal descoberta?...

Publicado por: lima em janeiro 9, 2005 03:05 PM

Linda história!!!

Publicado por: MrX em janeiro 9, 2005 05:10 PM

Uma belíssima história a chamar a atenção para a forma como é possível ultrapassar aquilo a que chamamos "deficiência".
Agradeço a tua visita ao meu espaço. Um abraço

Publicado por: lique em janeiro 9, 2005 09:28 PM

Acredito que seja verdade o que aqui escreveu pela simples razão de durante vários anos ter feito consulta de pediatria num local em lisboa onde eram atendidoa crianças con surdez e deficites graves de visão ,juntamente com outras crianças.Isto é ,não era uma consulta de deficientes,toda a população ia e iam tb meninos com problemas de audição e visão.Nunca vi os pais ou essas crianças terem um comportamento diferente.Lembro especialmente uma mâe surda que uma manhã me disse do seu filho tb surdo"ele entrou naquela fase dificil em que não ouvem os pais!"Como vê a vida e o carinho ultrapassa as barreiras que a sociedade por vezes não consegue.

Publicado por: annie hall em janeiro 12, 2005 11:21 AM

Todos iguais, todos diferentes, o ser humano é igual a si mesmo, em todas as circunstâncias da vida. Gostei desta história, (será mesmo história?)parece-me bem real... Jinhos e tudo de bom :-)))

Publicado por: menina_marota em janeiro 24, 2005 12:33 AM

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Publicado por: rape sex stories em fevereiro 3, 2005 06:44 PM

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