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janeiro 13, 2005

Quero contar-vos uma história...

Quero contar-vos uma história.

Alguém me disse que viu,algo de tão verdadeiro,de tão puro e inocente que quase parece imaginação...

Noite fria de Dezembro, uma porta aberta para a rua mostrava no seu interior A Poetisa que declama, numa sala pequena, coberta por uma nevoa densa do fumo dos cigarros que se acendiam com o passar das horas.
Um dos ouvintes da Poetisa, num dos momentos em que acendia mais um cigarro, fixou-se nessa porta aberta para a rua (apesar do frio), fixou-se acima de tudo na Prostituta que espreitava.
Sob o passeio da rua esta Prostituta fixava a Poetisa, ouvia a Poetisa, sem se importar com as pessoas que entravam na sala e que a empurravam, dos encontrões que lhe davam aqueles que passavam no passeio, sem se importar com o frio que fazia e com as poucas roupas que trazia para a aquecerem.
Ao seu lado estva um cão. Um cão que aparecera por ali e também ele se fixava na sala, talavez atraido pelas luzes, pelo calor que lá dentro fazia...
A Poetisa acabou de declamar, os últimos cigarros eram apagados, as pessoas começavam a sair, e também ela,a Prostituta, tinha que seguir o seu caminho,mas antes olhou para o cão,baixou-se ao pé dele e limpou as lágimas que o cão tinha, provavelmente provocadas pelo frio que se fazia sentir....
Esta Mulher,não teria mais do que a quarta classe, mas a sua sensibilidade não tem estudos ou cultura, tem sentimentos...
A Prostituta "limpou as lágrimas que o cão tinha", talvez a lágrima que lhe apeteceria (a ela) chorar...

Ouvi alguém contar aquilo que alguém sentiu...

Publicado por impressaodigital às 03:36 PM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 08, 2005

Estás a ouvir-me?!

Os gritos vindos de lá de dentro, juntamente com um choro aflitivo, alarmavam os que esperavam cá fora, ninguém sabia o que se passava...
A voz que lá dentro gritava "não", tentava manter dentro de si, a todo o custo, uma vida que lhe pertencia, uma vida que não estava pronta para ser exposta aos olhares,às vozes, ao tempo...
Trinta e duas semanas depois daquela manhã, em que ele lhe tinha levado o pequeno-almoço à cama, nasceu "o fruto do amor" (como alguns lhe chamam), o filho deles (como os emnso poeticos dizem). Nasceu,mas não devia, tinha que ter aguentado mais algum tempo, agora já era tarde...
A mãe quase que nem o viu, foi directo para a incubadora, o pai, nem teve tempo para desmaiar, ´ficou vidrado naquela figura minuscula, tão frágil,tão..tão...
Passaram-se dois dias, os pais visitavam a criança, que após a dificuldade que teve para nascer(não me perguntem quais,não quis saber), estava ainda em observação, "não sabemos as sequelas" - diziam os médicos - "ainda respira com ajuda de um ventilador"...
Não percebo nada de medecina,mas aquilo não me soava bem.
O tempo passou, não contei os dias, os pais sabiam,mas eu não perguntei...a criança já respirava sozinha, tudo correu bem, não apresentava qualquer deficiência fisica...todos respiraram de alivio "aiiii".
Vieram para casa, colocaram a criança no berço, comia bem, desenvolvia-se bem, era apaparicado por todos. Ser prematuro, afinal não tem que ser assim tão assustador.


O pai chegava a casa e no corredor ouvia música altissima, à medida que se aproximava da sua porta, a música tornava-se mais intensa...abriu a porta e lá dentro o barulho era insurcedor. A mãe, estava especada em frente da aparelhagem, nem deu conta dele entrar!
"poe o som baixo! o miúdo?!" - diz ele
"foi por causa dele que pus a música alta" - replicou ela
"?????"
"pus musica enquanto mudava a fralda ao bébé, sem querer pu-lo em cima do comando...o volume foi aumentando e enquanto eu procurava o comando...o bébé não tinah reacção...aumentei mais...está no máximo... ele está ali, ao pé da coluna...e não ouve!"

O bébé cresceu, fez-se um miúdo espevitado, esperto, alegre...os pais aprenderam a comunicar com ele, e estando um dia os três a passarem na Rua Sta Catarina, o pai olha de repente para o miúdo ele gesticula freneticamente, o pai interpreta " ainda falta muito para chegarmos? estou cansado! estás a ouvir-me?!"

Publicado por impressaodigital às 07:21 PM | Comentários (8) | TrackBack

janeiro 07, 2005

Religioso/ Irreligioso

Durkeheim disse uma vez que, "o ideal religioso não desaparece com o surgimento do irreligioso. Vivemos num mundo irreligioso, mas o que desaparece é a religião institucional, a religião encarnada pela igreja. O Homem sepre terá, sentirá, a necessidade metafisica de se interrogar sobre o mundo, sobre o seu sentido, sobre a sua existência."
Mas há uma necessidade ainda mais importante, que é a necessidade do homem se juntar, "cada vez mais a humanidade convencer-se-à que o ideal supremo consiste na formação de relações sociais cada vez mais apertadas entre os seres".

(Uma das partes da matéria que estou a estudar para sociologia)

É verdade que parece que o ser humano cada vez mais se desliga do que é religioso, do que é ter fé, ainda que em momentos de aflição seja tudo um "ai, Jesus , Virgem Santissima!". Mas é toda a gente se interroga sobre a fé, sobre as religiões, todos a criticam, ninguém se desliga verdadeiramente, quanto mais não seja para tomar a sua decisão de crente/ não crente, practicante/ não praticante!

Assumo´desde já, que aos meus 14 anos comecei a interrogar-me e decidi declarar-me ateia (é assim que se diz?), mantive esta posição durante uns 3/4 anos, mas acho que nem me preocupava muito em tentar descobrir o outro lado,o lado religioso (embora tenha tido uma formação cristã catolica apostolica, tenha sido baptizada, tenha feito 2 comunhões e só não fiz o crismã,porque tornei-me ateia (?)).
Agora, continuo a não ser nada religiosa,mas acho que já nao confundo os conceitos, tornei-me agnostica! No fundo eu não tenho religião, mas não consigo evitar pensar que de facto existe algo mais para além deste mundo. Não acredito no SER SUPREMO, extremamente benevolente por um lado e tenebroso/castigador por outro, milagres são coisas que não acontecem só porque palmilhamos quilometros,etc...
Mas não encontro nas outras religiões,nas outras seitas, qualquer tipo de chamamento, qualquer tipo de atração ou fonte de conhecimento para mim...
Por certo,vivo com as minhas dúvidas, e com as minhas certezas (se é que as posso ter) e vou vivendo à minha maneira, sem pedir aquilo que não dou...

Publicado por impressaodigital às 01:24 PM | Comentários (5) | TrackBack

janeiro 06, 2005

Cada Vez Mais Aqui

Queres lutar com quem?
Para doer aonde? Para ser o quê?
Achas que ninguém vê?...

E p'ra quê fingir?
Porquê mentir e remar na dor?
Achas que ninguém vê?...

Também eu queria parar...
chorar... cair...
p'ra me levantar, p'ra te puxar!
Te fazer sorrir, não voltar a cair!...

Não me olhes assim,
continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
Não dances tão longe
que eu já te vi...

Também eu queria parar...
chorar... cair...
p'ra me levantar, p'ra te puxar!
Te fazer sorrir, não voltar a cair!...

Toranja, "Esquissos",2003


Uma das bandas que mais me surpreendeu, um tom de voz "igual" á de Jorge Palma, iso à primeira impressão,porque logo se vê que de iguais têm pouco....
Espero pelo segundo albúm (não em jeito de fã histérica!) que a manter a qualidade das letras e das notas musicais...soara a sucesso.

Publicado por impressaodigital às 09:02 PM | Comentários (3) | TrackBack

De: mim Para: ti

Quem és tu afinal? O que desejas?
És a pessoa que sofre. A que tenta ser feliz.
Possivel seria se te deixassem, se te quisessem, se te procurassem.
Poucas palavras ditam o que sentes...tristeza talvez? por que não?
Pouco provavel julgo ser, tentas ser o que os outros querem que sejas, e não o que és...sentes solidão!
Até que decides ter esperança, mas não adianta. Também essa se desvaneia a cada passo teu, a cada procura tua.
Tentas encontrar alguém, de quem até gostas, pessoa que gostavas que te tentasse descobris, mas não encontras...estás só!
Não tens que ter pena de ti, só te faz sentir pior. Tens que te erguer!
Sei que é dificil, mas tem de ser,porque?
Porque tens de viver!
Para quê?
Não te sei dizer, tens de o fazer por ti, para ti e contas contigo, tens de contar!
Viver não é fácil, mas a morte lenta como tu a vives ainda é mais dificil!
Estás só? Queres sentir que alguém te procura, queres-te sentir acompanhado, desejado...eu sei, eu sei...
Vai ter com os teus amigos, tenho a certeza que gostam de ti. Mas está demasiado triste, revoltado, para sentires, para veres isso.
Mostra-te! Tens medo? De quê?
Um dia terás que te libertar. pode não ser este ano ou para o outro, mas quando te sentires longe daqueles que te "oprimem", solta o medo, a tristeza, a raiva, a alegria que há em ti!
Sê tu mesmo, vive e ajuda a viver, porque eu sei que és capaz...não fosses, tu, uma pessoa que merece ser feliz!

Publicado por impressaodigital às 06:46 PM | Comentários (4) | TrackBack

olá!

eu sei, eu sei, não tenho dado noticias... acontece que não tenho net na minha casa em Braga e infelizmente não tenho tempo de ir até à universidade. Entre as folhas dos livros e os cafés para desanuviar, resta pouco tempo para dedicar ao blog!
Mas eu vou tentar ser mais assidua(prometo!) :).

Até sempre e obrigada por continuarem a vir até este "canto"

Publicado por impressaodigital às 06:31 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 03, 2005

Parte II

Ali estava ele, a olhar para tudo, anão ver nada, a descobrir o vazio que nele gerva, que nele tentava ocupar um espaço crucial da sua vida... a felicidade!
Será que alguma vez a iria alcançar?
Até aquele momento não via nada a modificar, tudo parecia incerto, tão inseguro, nada parecia real, tudo parecia longinquo e indefinido...serão estas as palavras certas para descrever o seu estado de espirito?!
Não sei, talvez sejam, ou talvez ele não lutasse o suficiente e tentava refugiar-se nas palavras secas e frias que pensav, que dizia, mas que em tudo transmitiam angustia e desespero, (serà que eu tinha pena dele?), ou talvez o que mais queria era chamar à atenção...
Mas havia algo que o fazia sentir vivo e com vontade de viver: a esperança! Os ideais que a todos pareciam utopicos, eram para ele objectivos de vida.
A familia "rejeitava - o", porque não o entendia, as paredes que sustntavam a sua casa estavam a desmoronar e tudo ficava e nada tinha, tudo queria e inguém dava, todos sofriam, deixavam sofrer e fazima sofrer... porque? não sei, o ser humano é um "bicho" estranho.
O que se pode fazer para mudar? eu ão sei, ele também não "todos têm que mudar a seu belo prazer e não ao prazer dos outros".
"Quero ter quem amo, quero que me queiram a mim" - dizia ele e continuou :" não anseio muito mais do que isso, não temo a morte, sonho com um mundo longe e perfeito, mas eles não me entendem, talvez eu não os deixe entender, mas a verdade é que nunca ninguém o tentou descobrir!"

Eu ouvi,até lhe dei razão, mas não consegui descobrir o mundo de longe e perfeito que ele falava...acho que era o sonho dele, mas que não era parilhado por mais ´ninguém...

Publicado por impressaodigital às 04:57 PM | Comentários (5) | TrackBack

janeiro 02, 2005

Ser livre é...

"É essa, aliás, a única morte que temes, não é? A do cárcere de ver a vida passar ao longe?"

in " o Vento e a lua. História de uma vagabunda"

Publicado por impressaodigital às 05:44 PM | Comentários (4) | TrackBack

Uma noite para sempre

Tudo começou num dia em que saiu à noite com amigos.
Tomou um café,bebeu um fino e manteve-se na conversa pela noite fora, entrou na madrugada sem se dar conta, o ambiente estava bom,o lugar era acolhedor,mas estava na hora de fechar,sai o grupo de amigos,saem todos os que estavam no bar.
Já estando do lado de fora, ninguém quer desperdiçar a boa disposição, todos querem aproveitar a noite...vão para a discoteca mais próxima acabar a noite.
Conhecem mais gente - "ofereço-te um copo",aceita,afinal ainda só tinha bebido um fino.
O cansaso chega,tem que se ir embora - "dou-te boleia" - aceita com descontracção,afinal os amigos ainda demoram e os pés já não se aguentam!

Passadas três semanas,continua a não se lembrar de quem lhe deu boleia, não tinha mal, mas havia peças que não encaixavam.
Nove meses depois teve a resposta...e agora,o que fazer?
Aqui a culpa fica solteira,fica só dela,porque ele quem é,onde está,porque fez o que fez? Ela,não estava bebada,no entanto não se lembra de nada...
O choro de todos os dias aviva-lhe a memória daquela noite bem passada entre amigos,só não se recorda de ter desaparecido da beira deles,de ter aceite boleia de um estranho que lhe pagou um copo, cujo nome até é inventado, mas que lhe "deu" muito mais do que ela queria, mas que ela incoscientemente aceitou...
Aceitou a partir do momento em que ele abriu os olhos pela primeira vez e que olhou para ela,a partir do momento em que ela se tornou uma nova mulher e que assumiu um novo cumpromisso : amar, cuidar e educar.

Publicado por impressaodigital às 03:18 AM | Comentários (12) | TrackBack